Obedecer ao Padre em tudo?!. .. (1)

Este estudo é baseado no artigo “Mitos Litúrgicos”, que escrevi e foi revisado por Sua Excelência Reverendíssima Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen (RS). O artigo lista 32 idéias equivocadas sobre a Sagrada Liturgia e contra-argumento com a palavra oficial da Santa Igreja. Foi publicado em Fevereiro de 2009 e pode ser lido na íntegra em:

http://www.salvemaliturgia.com/2009/04/mitos-liturgicos.html

Nesta vigésima sétima postagem, postamos o Mito 27, juntamente com um comentário atual a respeito, aprofundando o assunto.

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Mito 27: “O padre é autoridade, por isso deve-se obedecê-lo em tudo”

Não se deve.

A Santa Igreja é hierárquica, e uma determinação de um sacerdote que vá contra
uma determinação de Roma é automaticamente nula.

O Concílio Vaticano II, como foi dito acima, deixa claro que nem mesmo os sacerdotes podem alterar a Sagrada Liturgia (Sacrossanctum Concilium, n. 22)

O Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, é incisivo em dizer (“O Sal da Terra”):

“Do que precisamos é de uma nova educação litúrgica, especialmente também os
padres.”

A Instrução Redemptionis Sacramentum afirma ainda que todos tem responsabilidade
em procurar corrigir os abusos litúrgicos, mesmo quando isso implica em expor
queixa aos superiores. Diz o documento (n. 183-184):

“De forma muito especial, todos procurem, de acordo com seus meios, que o santíssimo sacramento da Eucaristia seja defendido de toda irreverência e deformação, e todos os abusos sejam completamente corrigidos. Isto, portanto, é uma tarefa gravíssima para todos e cada um, excluída toda acepção de pessoas, todos estão obrigados a cumprir este trabalho. Qualquer católico, seja sacerdote, seja diácono, seja fiel leigo, tem direito a expor uma queixa por um
abuso litúrgico, ante ao Bispo diocesano e ao Ordinário competente que se lhe equipara em direito, ante à Sé apostólica, em virtude do primado do Romano Pontífice. Convém, sem dúvida, que, na medida do possível, a reclamação ou queixa seja exposta primeiro ao Bispo diocesano. Para isso se faça sempre com veracidade e caridade.”

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Comentário sobre este Mito (20/11):

Reverenciar imensamente os sacerdotes, com todo coração, alma e entendimento?
SEMPRE!

Pois o Sacerdote é “Persona Christi”, tem a alma configurada ministerialmente ao Único e Eterno Sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (Cat), nos n. 1667-1673. Por suas mãos sacerdotais, Nosso Senhor se faz presente verdadeiramente no Santíssimo Sacramento do Altar, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, nas aparências do pão e do vinho (Cat. 1374-1377). Ele se faz presente durante a Santa Missa, que é a renovação do Seu Único e Eterno Sacrifício, consumado de uma vez por todas na cruz e tornado presente no altar (Cat. 1362-1372; 1411).

Como disse um santo, estando diante de um mim um anjo de Deus, cheio de esplendor, e um humilde padre católico, não hesito: a este último prestarei maior honra!

Por isso, o tradicional e belo costume de beijar a mão do sacerdote, como que beijando as Santa e Adorável Mão de Jesus.

Porém, como diz São Paulo (II Cor 4,7), “temos este tesouro em vasos de barro, para que transpareça claramente qu este poder extraordinário provém de Deus e não de nós”.

Pois o sacerdote também é um homem pecador; diz o autor da carta aos Hebreus que “também ele está cercado de fraqueza” (Hb 5,2), e por isso “ele deve oferecer Sacrifícios tanto pelos próprios pecados, como pelos pecados do povo”. (Hb 5,3)

O sacerdote portanto, NÃO menos que nós leigos, o sacerdote precisa ser obediente a autoridade de Deus, exercida pela Santa Igreja!

Aqui nestas postagens, temos falado a respeito de vários abusos litúrgicos, que são desobediência aos documentos oficiais da Santa Igreja

O próprio Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrossanctum Concilium (n.22), e o próprio Código de Direito Canônico (n. 846) determina que, “mesmo que seja sacerdote”, ninguem

“Ninguém mais, absolutamente, mesmo que seja SACERDOTE, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica.”

“Na celebração dos Sacramentos, sigam-se fielmente os livros litúrgicos aprovados pela autoridade competente; portanto, ninguém acrescente, suprima ou altera coisa aguma neles, por própria iniciativa.”

Também a Instrução Inaestimabile Donum, de 1980, afirma:

“Aquele que oferece culto a Deus em nome da Igreja, de um modo contrário ao qual foi estabelecido pela própria Igreja com a autoridade dada por Deus e o qual é também a tradição da Igreja, é culpado de falsificação.”

Por isso mesmo, quando o sacerdote “determina” que os fiéis cometam algum desses abusos, tais “determinações” simplesmente NÃO tem nenhum valor em termos de dever de obediência.

Por outro lado, em um ***contexto específico***, TALVEZ possa se justificar,
como ***tolerância*** (NÃO como aprovação) que se faça algumas coisas (contrárias as normas litúrgicas) que o sacerdote “manda” mesmo sem autoridade pra isso (quem sabe, permanecer em pé na Consagração?), se isso for feito com a intensão de manter boas relações com o sacerdote e com a Paróquia, para poder realizar ali um apostolado eficaz – e futuramente corrigir este e outros abusos. Talvez. Mas neste caso, vejamos que NÃO é por haver “dever de obediência”, e sim por prudência e tolerância (e tolerância significa fazer “vistas grossas” para um mau, em prol de um bem maior).

Mais ainda, o trecho da Constituição Redemptionis Sacramentum, citada mais acima, incentiva que os próprios leigos façam queixas a respeito dos sacerdotes que cometem abuso litúrgicos.

Penso, porém que NÃO é bom sair fazendo queixa a torto-e-direito (até porque os abusos litúrgicos no Brasil estão ultra-generalizados e penso que é grande parte das vezes NÃO é má intensão, e SIM déficit na formação do sacerdotes), mas sim:

- primeiro de tudo, AMARMOS os sacerdotes, REZARMOS por eles, e nos colocarmos
como amigos e suportes: os sacerdotes sofrem muito, passam por tentações e
provações fortíssimas, e acredito que cada sacerdote tem uma legião de demônios
mobilizados para derrubá-lo…

Os leigos precisam dos sacerdotes, e de alguma forma (claro que guardadas as devidas proporções), os sacerdotes precisam dos leigos!

Sabia frase que diz:

“Quem não reza pelos sacerdotes, não tem o direito de reclamar deles…”

…e penso que cada povo tem o clero que merece.

- segundo, quando vemos os abusos e somos diretamente atingidos por eles, se formos fazer alguma coisa, penso que, em geral, a primeira coisa é procurar convesar amigavelmente com o sacerdote, já que talvez a questão seja um défict de formação da parte dele

- terceiro, nos preocuparmos realmente, nesse sentido, com aqueles abusos realmente mais
graves, ao invés de “fazermos tempestade em copo dágua” ou ficarmos “debatendo sobre as panelas estragadas na cozinha enquanto matam nossos filhos no quarto”…

Mesmo que Roma não tenha condições de fazer algo específico à nível local, penso que a quantidade de queixas sobre algum aspecto em específico pautará as futuras ações de Roma à nivel geral.

Falta de caridade isso? JAMAIS!

Falta de caridade é ver os direitos de Deus e dos fiéis sendo inflingidos gravamente dentro das igrejas e não fazer nada, em nome de um puritanismo “politicamente correto”…

Falta de caridade é colocar impecilhos para que os fiéis, que tem o DIREITO de ter uma Liturgia bem celebrada, não a tenham e com isso tenham impecilhos em santifcar suas almas…

Retomamos a Constituição Redemptionis Sacramentum (n. 12):

…”todos os fiéis cristãos gozam do DIREITO de celebrar uma liturgia verdadeira, especialmente a celebração da santa Missa, que seja tal como a Igreja tem querido e estabelecido, como está prescrito nos livros litúrgicos e nas outras leis e normas.”

Diz o Santo Padre Bento XVI (Caritas In Veritate, n.3):

“A caridade sem a verdade cai no sentimentalismo” (Caritas In Veritate, n.3).

Disse o Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior (Arquidiocese de Cuiabá-MT) em sua entrevista concedida ao nosso blog:

“Se salvarmos a Liturgia, seremos salvos por ela.”

Roma exorta que as queixas necessárias sejam feitas com “verdade e caridade”. (Redemptionis Sacramentum, n. 184)

Nas aparições da Santíssima Virgem em Fátima (Portugal, 1917), oficialmente aprovadas pela Santa Igreja, quando o Anjo apareceu para as crianças, antes da Virgem aparecer, ele trazia consigo uma Hóstia Consagrada. Prostrando-se por terra, ensinou a elas a seguinte oração:

“Meu Deus: eu creio, adoro, espero-vos e amo-vos. Peço-vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam.”

Que a Grande Mãe de Deus, Mãe da Eucaristia, pela Sua Poderosa Intercessão, nos conceda a graça de crer, adorar, amar e zelar pelo Santíssimo Corpo do Deus-Amor Sacramentado, pelo Santo Sacrifício da Missa, pelo Sacerdócio e pela Sagrada Liturgia da Igreja..

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